segunda-feira, maio 09, 2005

 

Hotel Olivais

Por analogia com a crónica de José Mourinho para a revista dez do jornal Record vou escrever a crónica do fim de semana da final a 4 da Taça Nacional. Uma das razões pela qual lhe atribuí este título é a maneira como vou relatar os acontecimentos do fim de semana, não vou falar exaustivamente dos jogos porque acho que isso não foi o mais importante para nós.

No sábado vencemos o CAB Madeira por folgada margem. Entrámos fortes e conseguimos uma boa vantagem e a partir daí foi gerir essa vantagem. O CAB ainda se aproximou, mas nunca pôs em causa o nosso domínio. Vencemos com justiça, surpreendendo os espectadores que quando chegaram ao pavilhão viram uma equipa de baixa estatura e outra com 4 jogadores acima dos 2 metros. Mas cedo se percebeu como se dava a volta ao texto. Muita correria, muito querer e força de vontade, alicerçados num forte espiríto de grupo. Estávamos então na final, e embora cansados e com menos 2 horas de recuperação que o nosso adversário na final acreditávamos que podíamos conseguir o objectivo a que nos proposemos.

Domingo 8 de Maio, a ansiedade era grande, mas também a confiança, o jogo decisivo aproximava-se. Alguns sócios do clube saíram de Coimbra de madrugada para acompanharem aquele que podia ser um jogo histórico para o seu clube. Mais uma vez voltámos a entrar bem, embora não tão bem como na véspera. Estivémos sempre na frente e entrámos para o último período a vencer por 13 pontos, o que em básquete não é nada. O Imortal passou a criar mais dificuldades para o nosso ataque e nos últimos 5 minutos encostou o placar. Por quebra física ou por exclusivo mérito do adversário não consigo encontrar uma razão única para esta aproximação. A partir daí não conseguimos reagir, eles estavam por cima no jogo, e por lá continuaram. Nos últimos momentos da partida a equipa de arbitragem teve uma sequência de decisões discutíveis sempre em nosso prejuízo de tal forma que nem conseguimos sair para o ataque. O jogo acabou por se decidir na linha de lance livre. O Imortal teve 6 lances livres no fim, converteu 3 e ganhou. Penso que não se deve tirar o mérito ao adversário, por isso me dirigi ao seu banco para os felicitar. Foi uma enorme desilusão, é muito difícil descrever por palavras tudo aqui que passou pela cabeça. Perder é uma sensação horrível, numa final ainda pior. É caso para dizer a melhor equipa perdeu, a modalidade saiu derrotada. Cometemos erros é certo, mas parece que houve alguém a dar um empurrão ao Imortal na fase final do jogo.

As últimas horas em Albufeira foram complicadas, a vontade de vir embora era imensa. Mesmo depois de uma primeira parte de viagem difícil em que as imagens pareciam não sair da nossa cabeça, a força do grupo acabou por vir ao de cima, e transformámos uma derrota, numa vitória. Ainda que não goste de falar em vitórias morais, o certo é que nos sentimos campeões, nas palavras da direcção, do treinador e nas nossas próprias cabeças há sensação que nos tiraram um título que merecíamos. Pensei em não ir ao parque ontem, fui porque todos íamos e como verdadeira equipa que somos, não ia rejeitar o convite. Levados pelo alcóol fizemos discursos emocionados, cantámos o nome do nosso clube, ensinámos às pessoas o nosso grito, fizemos mais barulho do que nunca num autocarro e diziamos a quem passava que nos considerávamos campeões. Nunca vi nada assim, algumas pessoas estavam fascindadas com a nossa alegria, mesmo tendo perdido, no fundo fizemos a festa como se tivessemos sido campões, é assim que nos sentimos. Eu aposto pelo que vi do Imortal que ontem deve ter ido todos cedinho para cama, contentes por terem ganho, mas nunca com aquela alegria efusiva que nós mostrámos ontem. Eles não sabiam festejar. Tinha que ser o responsável da equipa a puxar pelo banco, na final sairam do balneário primeiro que nós, como se nada se tivesse passado. Dá uma certa raiva ver isto.

Queria agora agradecer a todos Januário, Gomes, Bruno, Pedro, Luís, Ruben, Tiffon, Gui, Bento, Pina, Diogo, Miguel e Pipo, por ter tido a sorte de ser vosso colega de equipa, pessoal é muito fácil jogar basquéte convosco. Agradecer ao Dilson que desenvolveu um excelente trabalho e que nos levou longe neste nosso caminho. À direcção do Olivais que esteve connosco nos momentos chave, ao Carlitos que tão seriamente fez um vídeo que nos serviu de motivação e também aos sócios do Olivais que de Barcelos a Albufeira acompanharam a nossa equipa. Por último gostava de deixar aqui uma pergunta a todos os que fizeram parte desta equipa, porquê é que não continuamos juntos até ao fim das nossas carreiras desportivas? Bem sei que isso pode parecer que se quer cortar as asas a alguns de nós, mas eu acho que este grupo podia conseguir tudo e mais alguma coisa.

Adoro-vos! Obrigado por esta época fantástica!

Fim de Crónica

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